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No dia da Formatura de 2.008...
“Na platéia acho que havia mais de 100 pessoas. As bailarinas se alternavam em sucessivas e impecáveis apresentações. Em pânico eu aguardava minha entrada. Ao final da musica o DJ anunciou meu nome e o de Nur Zahra. Caminhando com minha bengala a passos lentos, surgi do lado direito do palco e segui em direção ao centro. Levava o derbakke embaixo do braço. No centro do palco havia uma cadeira onde me sentei e, com calma, coloquei o instrumento no chão e dobrei toda a bengala para deixá-la atrás de mim no assento. Em seguida peguei o derbakke e fiz um pequeno solo de introdução para aquecer as mãos. Quando iniciei um Maqsoum, Nur entrou radiante, com um véu enorme e de cores fortes. Continuei tocando e executei, sem intervalo, um pouco dos principais ritmos e variações árabes, num som vibrante, com erros quase imperceptíveis. Habilidade essa que não teria conseguido sem as aulas do Professor Kamis Araman. Enquanto tocava, tentava visualizar Nur e ver os movimentos de seu corpo. Mas era difícil tentar focalizá-la e ao mesmo tempo prestar atenção no compasso das batidas. Durante toda a música, consegui vê-la completamente não mais que três ou quatro vezes. Mas o tempo todo eu percebia sua movimentação e acho que sabia com exatidão onde ela estava. Seu bailar dava vida e sentimento aos ritmos que eu tocava. No final do Tacksim consegui encontrar seu rosto, que nesse momento sorria para mim. Finalizei então |
com o presente de ter visto o sorriso de Nur. Recebemos calorosos aplausos e, antes que eu pudesse me recuperar e baixar a adrenalina, o DJ anuncia o nome de Chris Seluque. Permaneci sentado na mesma cadeira no palco. Com a introdução instrumental da musica, Chris surge lentamente como uma miragem no deserto. Como seus movimentos eram lentos, rapidamente consegui focalizar seu rosto e tentei não perdê-lo mais. Dançando, ela fazia gestos com seus braços, me convidando a cortejá-la. Sua beleza era absurda e hipnotizante. No evoluir da música eu me levantei e caminhei em sua direção. E, acompanhando o ritmo Saaid me aproximei executando, até com certa elegância e harmonia, os passos tão dedicadamente ensinados pelo Professor Paulo Rasec. Só conseguia ver dela o rosto, que a todo tempo também me olhava. Minha movimentação precisava ser ao seu redor, e eu tinha como referencia de limite do palco apenas uma forte luz que ficava no chão a nossa frente. Em alguns momentos, quando me aproximava desse limite, ela me protegia com contatos bem sutis de seu corpo, demonstrando seu imenso zelo por minha segurança. Mas o meu maior medo era o de perdê-la no palco e não conseguir focalizar meus movimentos em sua direção. Durante toda a música houve só um momento em que isso aconteceu, mas ela percebeu no mesmo instante, e com sabedoria apenas disse discretamente: “Estou aqui”. Foi o suficiente para eu focalizá-la novamente. Conseguir ver o olhar da Chris foi o que me deu estabilidade e segurança para realizar meus movimentos em sua volta. Como o espaço que enxergo é bem pequeno eu precisava escolher entre olhar para Chris ou olhar para o chão onde iria pisar. Escolhi focalizar seus olhos e deixei seu olhar e a música me guiarem. Acho que essa foi minha grande sacada durante nossa dança. Percebi que bastava eu focalizar seu rosto para saber em que direção eu deveria me movimentar ao seu redor. E ela soube me transmitir isso quase todo o tempo, apenas me olhando. Esqueci alguns passos e até consegui improvisar sem sair do compasso do ritmo da música. As dicas de improviso do Profº. Paulo foram muito bem aproveitadas. rsss. Encerramos com um cortejo meu de joelho ao chão e a Chris com um suave cambree ao meu lado. Após o final da música fomos saudar a platéia e os aplausos pareciam não mais ter fim. Em nenhum momento eu consegui ver a platéia, mas a vibração das palmas me deram a medida do quanto tinham ficado envolvidos com minha apresentação. Ainda no palco a Professora Chris me parabenizou com um forte e carinhoso abraço, me conduziu até a cadeira e me devolveu a bengala. Juntos, deixamos o palco e eu saí com a sensação de ter vencido um grande desafio e ter vivido uma das maiores emoções da minha vida. “.
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Depoimento de
Walther Neto 14/12/08
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“Ela emociona com sua história, é admirada por suas atitudes diante das adversidades, lutadora, uma guerreira incansável, batalhando duramente pelos seus sonhos.
Um exemplo de coragem frente aos obstáculos. Muita gente, por bem menos, desiste de lutar, viver ou de sonhar.
E nessa evolução da vida e dança, nossos caminhos se cruzaram pelos ares, voando e realizando os sonhos. Maktub.
Que brilhe sempre a sua luz!“. |
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Depoimento de
Marina Montefusco, aluna e amiga.
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Nunca conheci uma mulher tão terna e ao mesmo tempo
tão guerreira... Luz que ilumina, sol que aquece a alma de
quem a conhece...
Assim essa mulher continua o seu caminho em que as dores ela
transforma num suave perfume de esperança... Basta olhar nos
seus olhos e no seu sorriso...
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O coração dela reflete
no rosto...
Nunca me emocionei em ver alguém dançando como me emociono
com a Chris...
A alma dela fala através de todo o corpo, gestos, olhos, mãos...
Realmente a luz dessa menina mulher é muito forte...
Obrigada Chris por me acolher na sua escola... Hoje sou uma
mulher mais feliz...
beijos. Márcia |
Depoimento de
Márcia Bortolazo
Aluna da Chris Seluque
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Uma pequena bailarina |
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Era uma vez uma menina,
Que queria ser como sua mãe,
Dançava com seu véu,
Que sua mãe a deu quando caiu do céu.
É dia de apresentação,
Chegou à hora de se arrumar,
Chamou suas amigas para o vestiário,
Para logo se apresentar.
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Ao entrar no palco, começou a dançar,
Com sua nova sapatilha,
Começou a girar e brilhar.
No final da dança agradeceu,
E nos olhos de sua mãe,
A sua imagem apareceu,
E uma lagrima dos seus olhos escorreu!
De Juliana Seluque
Para minha mãe, a Chris Seluque
Te amo mamãe!
16/09/2008 |
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Noite El-Faium
especial de Aniversário
Homenagem de Walther G. Z. Neto
Aluno da Chris Seluque
À noite em El-Faium de
hoje é muito especial. Estamos comemorando o segundo aniversário
de nascimento do Espaço Maktub. Durante esses dois anos de
existência, o espaço transformou-se em um pólo de cultivo
à saúde mental e corporal feminina, utilizando para isso,
o resgate de tradições praticadas
em culturas milenares. Buscando reproduzir a essência de costumes
e rituais antigos, as idealizadoras do espaço trazem de lugares
e épocas distantes os elementos que compõem toda atmosfera
do Maktub.
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O visitante rapidamente percebe que o espaço em que está,
pertence a outros tempos históricos, e também o remete a outros
lugares geográficos.
Muito mais do que ensinar uma habilidade artística, a proposta
das professoras do espaço é oferecer a suas alunas caminhos
para o auto-conhecimento do corpo e das emoções. Por isso
fazem com que todo o ambiente contribua para estimular os
sentidos dos aprendizes. E assim, seus trabalhos são voltados
para o desenvolvimento de um equilíbrio pessoal mais completo.
Aos poucos aprendemos que toda essa diversidade de cores,
materiais, sonoridades e movimentos possuem significados,
que carregam em suas raízes sentimentos intensos e ligações
divinas.
Intensidade essa que, sem duvida, possibilitou a tais manifestações,
surgidas em tempos a muito passados, manterem-se vivas até
os tempos atuais e ainda fazerem sentido para muitos de nós.
E é na harmonia entre esses significados e as emoções interiores
das alunas que reside à genialidade dessas professoras. O
olhar individualizado e o respeito a crenças e valores de
cada pessoa, fazem dessas professoras a ponte fundamental
na interação do aluno com esse novo mundo que diante dele
se apresenta.
Quem procura o Espaço Maktub em busca de aulas para dançar
ou apenas como uma opção de atividade física, logo descobre
que na verdade encontrou um novo lar e, irresistivelmente,
acaba fazendo parte dessa família festiva e alegre. Uma família
onde o aprendizado é mútuo, em que alunos e professores se
desenvolvem juntos. Unidos pelo mesmo desejo de utilizar as
danças orientais para identificar e expressar seus próprios
sentimentos.
Então, é por este ousado e belíssimo projeto que, em nome
dos alunos e freqüentadores do Espaço Maktub, quero parabenizar
e agradecer a sua criadora Christianne Seluque, pela dedicação
e carinho que deposita nesse precioso trabalho, e pela imensa
seriedade e profissionalismo com a qual conduz suas aulas.
Agradecer por compartilhar conosco todo esse universo de emoções
intensas e sentimentos vibrantes. Agradecer pelo esforço que
não mede para fazer desse espaço um lugar que oferece, acima
de tudo, saúde e qualidade de vida.
Enfim, agradecemos por converter em benefícios
de outras pessoas todo esse amor que sente pela dança, pela
música e pelos costumes dos povos do oriente.
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Homenagem de
Walther G. Z. Neto
ao 2º aniversário da escola
aluno da Chris Seluque |
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